Valores a transmitir

  • Promoção da cidadania – Trabalhar a cidadania nas escolas é uma via para formar cidadãos mais justos e mais atentos às questões sociais, mas também de pôr as escolas a olhar para as suas próprias dificuldades internas, ou seja, a escola é também bastante excludente. Trabalhar estes assuntos no interior da escola é não só colocar os alunos a refletir sobre os mesmos, mas também os outros atores que fazem parte deste espaço: professores, pais, funcionários e os próprios órgãos decisores. Todos, de um modo e de outro, precisam de ser sensibilizados para colmatar situações de insucesso e abandono escolar, discriminação e pobreza. É necessário que a escola trabalhe no sentido de uma cidadania que reconheça a singularidade dos seres humanos.
  • Igualdade - A cultura da igualdade é fundamental para assegurar que cada homem e cada mulher sejam considerados de facto cidadãos e cidadãs de pleno direito. É assim urgente educar todos os portugueses desde os primeiros momentos de aprendizagem e socialização para uma cultura da não discriminação, da não-violência, para a afirmação dos direitos e deveres de cada um, para os valores da tolerância, da convivência, do diálogo, da diversidade e, sobretudo, para uma solidariedade ativa perante as possíveis difíceis situações de uns face a outros [1].
  • Participação - As crianças e os jovens têm um papel fundamental na sociedade, pelo direito que têm à participação e por serem atores sociais cujo papel é determinante para a produção de mudanças significativas com vista à coesão social. Assim, propomos uma intervenção “não para os alunos”, mas sim “com os alunos” e, sempre que possível, com todos os atores da comunidade escolar, famílias, parceiros sociais e todo o meio envolvente.
  • Solidariedade - ação de sensibilizar para a importância do envolvimento de “todos” na luta por um mundo livre de discriminação e pobreza, partindo dos cidadãos mais jovens que são os construtores do futuro e que têm nas mãos a grande missão de construírem pontes em vez de muros.

Para criar o “clima” necessário a uma estruturada mudança cultural, capaz de incorporar os princípios aqui enunciados, é fundamental que, de forma organizada e permanente sejam promovidas ações de sensibilização que facilitem uma participação informada e ativa que combata a pobreza e que ao mesmo tempo crie as condições para a sua prevenção. Para este efeito, julgamos absolutamente crucial que seja promovida uma permanente formação ao nível mais capilar da educação nacional. Ou seja, que esta nova forma de estar, de ser e de agir, capaz de efetivamente alterar comportamentos, seja promovida por uma educação que lhe dê suporte teórico e prático. Por outras palavras, o combate à pobreza e sua prevenção começa nos “bancos da escola” e uma parte substancial dos nossos esforços coletivos terá que ser para aí orientada.



[1]Apelo para uma Ética e um consenso alargado para o combate à pobreza. Um novo contrato social?” EAPN Portugal, maio de 2009.